terça-feira, 6 de dezembro de 2016

Paula Coelho Pais

O dia nasceu com a partilha dos afetos e nem o frio atrasou a escrita.

O dia nasceu com a ocultação das indiferenças e nem o fervor atrasou o vazio


Paula Coelho Pais

Carmo Silva

Texto 1
Foi numa tarde chuvosa, entre amigos e sorrisos. Um convívio saudável com amigos de infância e conhecidos. No final algum cansaço... e uma enorme vontade de regressar ao conforto do lar.
Amigos – desconhecidos, estranhos
Sorrisos – risos envergonhados
Cansaço – energia positiva
Convívio – encontro forçado
Texto 2
Foi numa tarde chuvosa, entre estranhos e risos envergonhados. Um encontro forçado, mas saudável com amigos de infância e conhecidos. No final alguma energia positiva... e uma enorme vontade de regressar ao conforto do lar.


Maria do Carmo Silva

domingo, 4 de dezembro de 2016

Fátima Sarmento

4 + 4 = 8 palavras

O Sol aqueceu o dia e tu com o calor do teu amor originaste a minha felicidade. A tua luz fez-me sentir linda e em paz com o minha alma.

A lua esfriou a noite e tu com a frieza do teu ódio originaste a minha infelicidade.A tua escuridão fez-me sentir feia e em guerra com o minha alma.

Fátima Sarmento

quinta-feira, 1 de dezembro de 2016

Fátima Sarmento

Esquecer - caminho - perdoar - liberdade

No meu íntimo tenho a liberdade de te esquecer, mesmo que não me perdoes. Todavia, no caminho que sigo tu não me acompanhas...


No meu íntimo sinto resignação por te reviver mesmo que me culpes. Todavia, no precipício onde me encontro, tu não me acompanhas...

Fátima Sarmento

Como nasceu este desafio?

Ao longo de anos de trabalho com desafios de escrita, surgiu-me esta ideia, ao descobrir que muito do que escrevemos e do que queremos esconder, se revela ao aplicar contrários nas palavras-chave.
No fundo, esta é também uma excelente ferramenta para aperfeiçoar os textos, que pode ser usada quando escrevemos uma frase banal, muito batida, mas que se encaixaria bem no momento. Trocando algumas palavras por contrários, nascem não só ideias que, de outra forma, não apareceriam, como trazem aquela beleza à escrita das palavras inesperadas.

Isto funciona com qualquer idade, o que também é absolutamente extraordinário. Um dia, com alunos do 3.º ano do 1.º ciclo, debatiam-se com um final demasiado batido: «e foram felizes para sempre». Expliquei-lhes a ideia, ficando o conto colectivo com o final: «foram infelizes num nunca muito pequeno». Acharam o máximo, e a história prestava-se a isso, já que uma das personagens secundárias ameaçara os heróis de que seriam sempre infelizes.

Contudo, algo acontece ao mesmo tempo, numa revelação surpreendente para quem faz esta técnica: as ideias ficam muito mais fortes, raramente dizendo o contrário, mostrando o fundo emocional com que foi escrito. Não sei explicar-vos a razão, um dia chegaremos a essa conclusão, mas a verdade é que um exercício simples pode fazer muito por nós. Não aperfeiçoa apenas o «como escrevemos», mas sim «como nos sentimos».

Numa outra ocasião, numa turma de 9.º ano, havia muitas palavras e estávamos a fazer o exercício para experimentar. Os contrários (3 ou 4 por palavra) ficaram escritos no quadro para que refizessem o texto, deixando que este lhes falasse, em vez de obrigá-lo a dizer o que pensávamos que ali estaria.
Uma das raparigas da turma quis ler e pôs-se de pé. As palavras de desprezo dos bullies da turma quase lhe tiraram a coragem, mas a rapariga prosseguiu. Com a voz a tremer, leu o 1.º exemplo e deixou-nos sem fôlego - era um retrato do bullying emocional a que estava sujeita na turma. Instalou-se um silêncio quase doloroso. Quando quis ler a segunda versão, as lágrimas começaram a rolar, mas quis continuar. Estava tudo dito: a dor, o desânimo, a auto-estima ameaçada, a solidão. Quando terminou, a turma permaneceu estupefacta: ninguém sabia como reagir.
Os bullies fizeram, então, o gesto que ainda hoje me comove ao recordar esta aula: levantaram-se, foram até junto da rapariga e abraçaram-na, enquanto lhe pediam desculpa. Segundo o professor de Português da turma, o problema fora resolvido com aquelas palavras.

Continuemos, pois, a experimentar. Acredito que iremos encontrar caminhos espantosos e espantados!

Maria José Barros

Caminho / liberdade / esquecer / perdoar

caminho para a liberdade é conseguir esquecer e, intimamente, perdoar.

limite para a opressão é conseguir lembrar e, de forma exposta, acusar.

Maria José Barros


Maria José Barros

Formação/ Vertigem / Dificuldade/ Ausência

Sinto a vertigem, a dificuldade do ser. Formo a tua ausência com retalhos vãos de memória

Sinto a solidez, a facilidade do ser. Desconstruo a tua presença com retalhos vãos de memória.   


Maria José Barros

segunda-feira, 28 de novembro de 2016

Carla Augusto

AMOR     CORAÇÃO     DESABAFAR      SORRISO

Texto 1:
Passear a teu lado, amor, e desabafar estas preocupações que tanto me consomem, devolveu-me outro coração. E o sorriso nasceu no meu rosto.

AMOR – desamor, dor
CORAÇÃO – caixa, pedra, razão
DESABAFAR – calar, esconder
SORRISO – choro, amuo, tristeza

Texto 2:
Passear a teu lado, dor, e calar estas preocupações que tanto me consomem, devolveu-me outra razão. E o choro nasceu no meu rosto.


Carla Augusto

domingo, 27 de novembro de 2016

4 palavras diferentes

Este blogue nasceu depois de uma formação na AEDCriatividade sobre a escrita das emoções.

O que pode fazer? É simples... e complexo.

Escolhas as 4 palavras que melhor definem o dia que acabou de viver.
Inclua essas 4 palavras numa reflexão, na primeira pessoa - esta reflexão pode não ter relação com o dia, é uma reflexão apenas. Não deve ser grande, duas ou três linhas manuscritas.

Depois disso, pegue nas quatro palavras e encontre várias palavras para cada um que sejam contrárias (não necessariamente antónimos) às primeiras.

A seguir, reescreva a reflexão, substituindo as palavras pelo contrário que lhe fizer mais sentido.

Deixe que o texto fale consigo, não queira controlar o processo. O novo texto pode dizer o mesmo, o contrário ou outra coisa diferente! 

Depois envie para este mail: 4palavrasdiferentes@gmail.com

Veja aqui um exemplo


Exemplo

PARTILHA   PALAVRAS  CAMINHO  EMOÇÕES

Texto 1:
Foi nas palavras partilhadas que encontrei o caminho
No meio das emoções que ignorei, cresci.

PARTILHA - agarrar, guardar, esconder
PALAVRAS - silêncios, pensamentos
CAMINHO - precipício, beco, fim
EMOÇÕES - pedra, rasgar, frio

Texto 2:
Foi nos silêncios escondidos que encontrei o fim
No meio do frio que ignorei, cresci.